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Pesquisa nos EUA mostra que 31% dos pais manteriam seus filhos longe da escola


Criança aguarda decisão sobre se poderá voltar às aulas durante a pandemia de Covid-19

Uma pesquisa em formato de survey realizada nos Estados Unidos mostra que 31% dos pais disseram que provavelmente ou definitivamente manteriam seus filhos em casa, longe da escola, no outono (21 setembro a 20 dezembro), enquanto 49% disseram que provavelmente ou definitivamente os enviariam para a escola. Os resultados deste survey foram publicados no jornal JAMA Pediatrics. O objetivo desde estudo foi caracterizar a associação de frequência escolar presencial planejada durante a pandemia com fatores, incluindo características socioeconômicas familiares e atitudes e crenças dos pais sobre a frequência escolar de seus filhos.

Métodos da pesquisa

Kroshus e colaboradores conduziram um estudo transversal, cujos dados foram coletados de 2 a 5 de junho de 2020. As medidas consideradas foram: status socioeconômico da família, a presença de familiares vulneráveis a doenças, preocupação com a COVID-19 e/ou síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C), confiança na escola e dificuldades com o ensino doméstico.

Os pesquisadores obtiveram respostas de 730 pais: 53% eram mulheres, 28% eram negros e 27% eram de hispânicos. Trinta e um por cento dos participantes indicaram que provavelmente ou definitivamente manteriam seus filhos em casa neste outono, e 49% indicaram que provavelmente ou definitivamente enviariam seus filhos para escola nesta mesma época. Fatores associados ao planejamento para manter as crianças em casa incluíram renda mais baixa (38% relataram uma renda anual de menos de $50.000 por ano, versus 21% que tinham renda entre $ 100.000 – $ 150.000), estar desempregado (40% versus 26% empregados), e ter um trabalho flexível (33% com trabalhos flexíveis versus 19% com trabalhos inflexíveis). O planejamento de manter as crianças em casa também foi associado ao medo da Covid-19, medo da MIS-C, confiança nas escolas e desafios da educação domiciliar. Raça e etnia não foram significativamente associadas aos planos de manter as crianças em casa.

Há algumas limitações neste estudo: foi usada uma base de amostragem de não probabilidade, o que significa que os respondentes da pesquisa podem não ser necessariamente generalizáveis para os não respondentes; não foi aferido se o filho de referência tinha outro pai e a situação de emprego desse pai; o termo “educação em casa” foi usado na pergunta referente ao comportamento planejado dos pais (é possível que esta formulação tenha sido interpretada como não englobando a aprendizagem remota facilitada pela escola, caso em que a estimativa dos planos dos pais de manter o filho em casa pode ser tendenciosa para baixo); as intenções foram medidas, e não está claro até que ponto elas serão aplicadas; por fim, os planos de frequência escolar em opções de escolaridade específicas, como presencial e ensino à distância híbridos não foram questionados.

Conclusões

Mesmo havendo estas limitações, os pesquisadores destacam importantes implicações para pais, escolas e formuladores de políticas:

  • Os pais devem buscar aconselhamento de uma fonte médica confiável com relação aos riscos potenciais que o retorno à escola representa para seu filho e sua família. No entanto, o apoio à decisão por si só não é suficiente para uma tomada de decisão equitativa. Barreiras estruturais, como a falta de flexibilidade no local de trabalho e potenciais desigualdades na implementação de políticas relacionadas à saúde na escola, devem ser reconhecidas e abordadas sempre que possível;
  • As escolas precisam agir rapidamente para dissipar as preocupações dos pais e fornecer opções para o que estará disponível para eles, caso optem por manter seus filhos em casa. Além disso, os formuladores de políticas precisam garantir que haja recursos adequados fornecidos às escolas para atender às expectativas dos pais em relação a equipamentos de proteção individual, distanciamento social, verificação de sintomas e outras etapas recomendadas por organizações como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Em carta ao editor, Dooley e colaboradores destacaram que, enquanto cada família terá que tomar a decisão que melhor se adapte às suas necessidades e considerações, o estudo de Kroshus e equipe lança luz sobre o papel crítico das escolas em abordar a equidade e servir as crianças de forma holística, fazendo parceria com departamentos e sistemas de saúde para fornecer mensagens para estudantes e famílias e desempenhando um papel vital na resposta a catástrofes.

H41MedCentro

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